Muitas pessoas procuram o ateliê querendo aprender a tornear e até desistem quando a gente explica que é necessário passar pelas técnicas manuais antes.

Imagine só! Quem nunca apertou um pedaço de barro, ter que controlar as duas mãos ao mesmo tempo, dosar a força, não tremer, água, pé, velocidade, ferramenta, tudo ao mesmo tempo e ainda RODANDO!!!! rs

Nunca dá muito certo ir direto pro torno!

Mas quem aceita o desafio de controlar a ansiedade e passar pelas técnicas manuais, acabam percebendo o encanto da cerâmica em cada técnica, cada detalhe do aprendizado que se constrói aos poucos.

Sim, cerâmica não é “fast”!

O infinito de possibilidades que as diversas técnicas trazem, a alegria de ver a peça pronta, a combinação de diversas técnicas em uma única peça,e até mesmo a escultura, que faz todo mundo bambear, acaba sendo uma grande surpresa, afinal, TODOS são capazes de fazer esculturas!

Mesmo você que pensa ter duas mãos esquerdas, consegue sim! A cerâmica é tão generosa conosco que permite que cada um possa trabalhar e criar mesmo com limitações físicas e motoras. Experimentamos ferramentas, mudamos a posição, respeitamos os princípios da técnica e reinventamos o fazer.

E como um presente dado pela Natureza, pela nossa paciência com o barro, com as mãos que aos poucos vão desenvolvendo novas habilidades, com o cérebro que passa a pensar em três dimensões, podemos observar as peças saindo de um pedaço de argila disforme e sem vida.

Um presente que compartilhamos na aula, não somente professor e aluno, mas os colegas que em volta acompanham a evolução da peça e do ser humano.

Desenvolvemos a paciência, controlamos a ansiedade, compartilhamos frustrações, deixamos de ser tão críticos conosco e com os outros, e quando nos sentimos orgulhosos demais ela também nos mostra que somos eternos aprendizes.